O QUE
VOCÊ É FALA MAIS ALTO
Um homem foi ao parque de diversões com
seus dois filhos. Dirigindo-se à bilheteria perguntou:
- Quanto custa a entrada?
O bilheteiro respondeu prontamente:
- São 10 reais para o senhor e para qualquer criança maior de seis anos.
A entrada é grátis se eles tiverem seis anos ou menos. Quantos anos eles
têm?
O homem informou que o menor tinha 4 anos e o maior, 7.
O rapaz da bilheteria falou com ares de esperteza:
- O senhor acabou de ganhar na loteria, ou algo assim? Se tivesse me
dito que o mais velho tinha 6 anos eu não saberia reconhecer a
diferença. Poderia ter economizado 10 reais.
O pai, sem se perturbar, disse:
- Sim, você talvez não notasse a diferença, mas as crianças saberiam que
não é essa a verdade.
Sem a consciência que o pai daqueles garotos tinha da importância de
sermos verdadeiros em todas as situações do cotidiano, muitos de nós
apresentamos uma realidade distorcida aos meninos que nos cercam.
Tantas vezes, para economizar pequena soma em moedas, desperdiçamos o
tesouro do ensinamento nobre e justo.
Desconsiderando a grandeza da integridade e da dignidade humanas,
permitimos que esses valores morais sejam arremessados fora, por muito
pouco.
Nesses dias de tanta corrupção e desconsideração para com o ser humano,
vale a pena refletir sobre os exemplos que temos dado aos nossos filhos.
Às vezes, não só mentimos ou falamos meias verdades, como também pedimos
a eles que confirmem diante de terceiros as nossas inverdades.
Agindo assim, estaremos contribuindo para a construção de uma sociedade
moralmente enferma desde hoje.
Ademais, o fato de mentirmos nos tira a autoridade moral para exigir que
os filhos nos digam a verdade, e isso nos incomoda.
Pensamos que pequenas mentiras não farão diferença na formação do
caráter dos garotos, mas isso é mera ilusão, pois cada gesto, cada
palavra, cada atitude que tomamos, estão sendo cuidadosamente observadas
e imitadas pelas crianças que nos rodeiam.
Daí a importância da autoridade moral, tão esquecida e ao mesmo tempo
tão necessária na construção de uma sociedade mais justa e digna.
E autoridade moral não quer dizer autoritarismo. Enquanto o
autoritarismo dita ordens e exige que se cumpra, a autoridade moral
arrasta pelo próprio exemplo, sem perturbação.
A verdadeira autoridade pertence a quem já conquistou-se a si mesmo,
domando as más inclinações e vivendo segundo as regras de bem proceder.
Dessa forma, o exemplo ainda continua sendo o melhor e mais eficaz
método de educação.
Sejamos, assim, cartas vivas de lições nobres para serem lidas e
copiadas pelos que convivem conosco.
Diz o poeta americano Ralph Waldo Emerson: "quem você é fala tão alto
que não consigo ouvir o que você está dizendo."
Em tempos de desafios e lutas, quando a ética e a moral são mais
importantes que nunca, assegure-se de ter deixado um bom exemplo para
aqueles com quem você trabalha ou convive, especialmente aos meninos,
que tanto carecem de exemplos de verdadeiros homens.
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